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O que nos ajuda a compartilhar nossas emoções

CATEGORIA

Terapia de casal Terapia Focada nas Emoções Saúde mental Psicoterapia Relacionamentos

AUTORA

Daniela Rocha IJzerman

Regularmente eu leio um artigo que gosto e que considero relevante para a psicoterapia. Eu o resumo e discuto como o considero relevante para os clientes em meu blog. Você tem perguntas, comentários ou sugestões para outros artigos a serem lidos? Deixe um comentário abaixo do post. 

Discussão do artigo Can I Tell You How I Feel? Perceived Partner Responsiveness Encourages Emotional Expression 

Expressar nossos sentimentos para outras pessoas - particularmente àquelas que mais confiamos - pode ajudar a aliviar nosso estresse. Compartilhar nossos sentimentos com os outros também pode potencializar nossa alegria quando temos algo a comemorar. Mas às vezes podem existir fatores que inibem nossa capacidade de compartilhar o que sentimos. Neste post do meu blog, eu discuto um artigo que apresenta evidências para a idéia de que somos mais propensos a compartilhar nossas emoções quando sentimos que temos um parceiro responsivo ao nosso lado. Abaixo eu discuto como a percepção de responsividade do parceiro é importante para nossos relacionamentos e como a terapia de casal pode ajudar os parceiros a se tornarem mais responsivos um ao outro.

A percepção de responsividade do parceiro incentiva a expressão emocional

Na literatura de pesquisas psicológicas, uma série de estudos demonstra que expressar como nos sentimos pode nos ajudar a regular nossas emoções. Além de obter a assistência que precisamos, a expressão de nossas emoções também nos ajuda a construir laços mais fortes com outras pessoas. Apesar dos benefícios que podemos ter, mostrar como nos sentimos às vezes pode ser difícil. Mas o que ajuda a nos sentirmos confiantes para compartilhar nossas emoções?

Existe uma quantidade considerável de literatura em psicologia sobre a percepção de responsividade do parceiro , um conceito introduzido por Dr. Harry Reis. Especificamente nesse estudo, Yan Ruan, Dr. Reis,  e seus colegas encontraram evidências de que as pessoas são mais propensas a expressar suas emoções a seus parceiros quando os percebem como responsivos. Em outras palavras, se você antecipar que seu parceiro compreenderá o que você está passando e que ele cuidará de você, é mais provável que você se sinta seguro e aberto. Se você sentir medo da resposta do seu parceiro, será muito menos provável que você expresse como se sente. Se presumirmos que nosso parceiro pode rejeitar como nos sentimos por dentro, provavelmente tentaremos nos proteger para acabar não nos sentindo mal-compreendidos e até mesmo não amados. 

Neste artigo, a Sra. Ruan e o Dr. Reis e colegas também discutem como a percepção de um parceiro como sendo responsivo está relacionado a ter o que é chamado de "apego seguro". Eu discuti a importância do apego seguro em um post anteriormas, em resumo, os indivíduos que possuem um apego seguro têm um senso de confiança de que outras pessoas estarão ao lado deles para apoiá-los quando eles precisarem. Em comparação com indivíduos de apego inseguro, os indivíduos seguros são mais capazes de expressar suas necessidades e medos, o que os torna mais aptos a terem suas necessidades atendidas. 

Implicações para os clientes que atendo em terapia

Mas o que a receptividade tem a ver com casais que estão enfrentando problemas de relacionamento? Quando vejo clientes em terapia de casal, eles geralmente têm tentado encontrar maneiras de proteger seu relacionamento. Muitas vezes, porém, as mesmas estratégias que eles usam para protegê-los, podem ser percebidas pelo outro parceiro como exatamente o oposto. Não é difícil imaginar como proteger a si mesmo pode ser visto como ausência de resposta, o que então contribui para a manutenção dos problemas de relacionamento. 

Se pensarmos em um casal, Maria e Pedro, que chegam na terapia para que eu lhes ajude a melhorar seu relacionamento, é bem possível que Maria tente evitar conversas com Pedro sobre a educação do filho, pois ela sabe por experiência própria que esse tema os levará a uma discussão acalorada. Ao evitar o tema da educação dos filhos, Maria pode ter a intenção de se proteger do estresse que provavelmente virá. No entanto, não apenas Pedro pode acabar se sentindo rejeitado quando ele tenta falar sobre o assunto (entendendo que Maria não lhe dê a devida atenção), como também ambos sentirão que estão passando por isso sozinhos, enquanto sabemos que lidar com problemas em conjunto reduz o peso de um ambiente potencialmente estressante. E este ciclo pode aumentar ainda mais. Sentimentos de rejeição poderiam levar Pedro a se envolver em tentativas ávidas de obter a atenção de Maria. Ser alvo de intensas exigências e críticas pode fazer com que Maria se esforce ainda mais para escapar desta interação. Como resultado, tanto Maria como Pedro, sem querer, se sentirão feridos e desconectados. 

Compartilhar emoções dentro da segurança de uma sessão terapêutica é supostamente muito diferente da maneira como os parceiros se sentem ao fazer isso sozinhos em casa. Na terapia de casal, os parceiros têm a chance de criar novos padrões de interação com a orientação de um terapeuta. Durante a terapia, eu me concentro na construção de um ambiente seguro que ajude os parceiros a dar um passo atrás, identificar seus ciclos na interação e expressar seus sentimentos mais vulneráveis um ao outro. 

Limitações na aplicação de Ruan et al. à terapia

Muitos de meus clientes são mais velhos e estão juntos há mais tempo do que os estudantes que participaram dos dois estudos de Ruan e colegas (em seu segundo estudo, por exemplo, a duração máxima do relacionamento foi de 80 meses). Não se sabe como estes resultados se generalizariam a uma faixa etária mais velha e em relacionamentos de longo prazo. Além disso, o estudo que eles realizaram é um chamado "estudo observacional", o que torna mais difícil para mim, como terapeuta, saber se uma intervenção para tornar os casais mais responsivos um ao outro os ajuda a se tornarem mais expressivos emocionalmente, mas ao que tudo indica este seria o resultado. 

Estes estudos também não examinaram o resultado de regulação emocional a partir do compartilhamento de emoções entre os parceiros. Isto significa que não sabemos qual foi o impacto que compartilhar ou suprimir emoções teve nos relacionamentos dos participantes. 

Conclusão

Distressed couples that come to therapy are usually having difficulty being responsive to each other. When triggered, partners may experience a need to suppress their emotions or even to overly express them. My work as a therapist focuses on helping you to build a safer interaction in which you feel more comfortable to  express your emotions. My goal is to make you feel more confident in the way that you share your feelings and that neither of you unwillingly pushes the other away from each other.

Foto de Anna Shvets extraída do site Pexels

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