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Como podemos tratar a depressão?

CATEGORIA

Depressão Terapia individual Saúde mental

AUTORA

Daniela Rocha IJzerman

Regularmente eu leio um artigo que gosto e que considero relevante para a psicoterapia. Eu o resumo e discuto como o considero relevante para os clientes em meu blog. Você tem perguntas, comentários ou sugestões para outros artigos a serem lidos? Deixe um comentário abaixo do post. 

Discussão do artigo The 52 symptoms of major depression: Lack of content overlap among seven common depression scales

Embora existam diversos estudos sobre depressão, compreender o que ela é exatamente pode muito mais complicado. Este mês discuto um artigo do Dr. Eiko I. Fried, no qual ele mostra que existe uma grande disparidade entre as 7 escalas de depressão mais comumente usadas em estudos científicos. Sua conclusão é que estas escalas não medem de fato a mesma coisa, o que significa que as conclusões tiradas até agora sobre tratamentos eficazes para a depressão podem ser questionáveis. O impacto desta pesquisa é que diferentes clientes com diferentes tipos de depressão podem não se beneficiar do mesmos medicamentos e do mesmos tipos de tratamentos psicoterapêuticos. Para mim, como terapeuta, isso traz uma perspectiva importante sobre o futuro da pesquisa e dos tratamentos para a depressão. 

Os 52 Sintomas da Depressão

Nesse artigo The 52 symptoms of major depression: Lack of content overlap among seven common depression scalesO Dr. Fried descobriu que as 7 escalas mais usadas na literatura sobre depressão têm um nível muito baixo de similaridade em relação ao seu conteúdo. 40% dos sintomas aparecem em apenas uma escala (por exemplo: o sintoma queixas somáticas aparece apenas no Inventory for Depressive Symptomatology enquanto o sintoma a vida é plena aparece apenas na Escala Zung Self-Rating Depression Scale). Dos 52 sintomas, tristeza é o único sintoma comum diretamente questionado em todas as 7 escalas. Há outros 5 sintomas em comum entre todas as escalas, mas estes são perguntados diretamente em algumas escalas (por exemplo, a escala Hamilton Depression Rating Scale pergunta sobre insônia cedo, middle insomnia e insônia nas primeiras horas da manhã) e indiretamente em outros (por exemplo, a escala Beck Depression Inventory pergunta sobre sono perturbado). 

O Dr. Fried propõe que é necessário desenvolver diferentes tipos de escalas, nas quais seja possível medir uma grande variedade de sintomas com muito mais detalhes, tendo, por exemplo, diversas perguntas para cada sintoma. Sua opinião é que o objetivo de tais escalas deve ser o de medir sintomas e não uma construção única e abrangente, como depressão. A idéia é que, melhorando nossa compreensão dos sintomas, estaríamos mais aptos a tratar especificamente os sintomas. Como os sintomas da depressão podem variar de acordo com cada pessoa, os tratamentos baseados na focalização em sintomas específicos podem ser potencialmente mais eficazes do que aqueles baseados na compreensão da depressão como construção única. 

Implicações para os clientes que atendo em terapia

Na minha prática clínica procuro me manter atualizada com uma nova direção de pesquisa para entender a psicopatologia chamada Network Analysis (trabalho muito alinhado com a pesquisa do Dr. Fried). A pesquisa em Network Analysis procura entender como as questões de saúde mental surgem, se mantêm e cessam observando como os sintomas se relacionam uns com os outros. Dentro da Network Analysis, a interação entre os sintomas é entendida como a causa do distúrbio. Isto é muito diferente do que na pesquisa tradicional, onde os distúrbios são identificados como tendo uma causa comum muitas vezes invisível (por exemplo, uma causa genética), que pode ou não estar relacionada aos sintomas.  

Da perspectiva da Network Analysis, para ser mais eficaz, as intervenções clínicas devem visar diretamente os principais sintomas que causam distúrbios. A idéia é que podemos melhorar significativamente os tratamentos se formos capazes de identificar sintomas que são mais propensos a ativar outros sintomas (por exemplo, preocupação sendo a causa de insônia). Se os terapeutas souberem, por exemplo, que a "preocupação" é um sintoma central, trabalhando diretamente sobre este sintoma específico, estarão mais aptos a interromper ou enfraquecer um efeito em cascata de outros sintomas decorrentes da preocupação. 

Identificar o sintoma principal é um elemento; os pesquisadores que trabalham em Network Analysis também estão interessados em fazer uma ponte entre diferentes transtornos. Como a ocorrência de múltiplos distúrbios que ocorrem ao mesmo tempo acontece com freqüência (como a depressão e a ansiedade), os pesquisadores neste campo estão interessados em identificar quais sintomas apresentam os elos mais forte entre eles. Para os terapeutas, esta descoberta nos permitiria visar melhor os sintomas que são responsáveis pela manutenção de outros distúrbios. Isto pode permitir aos terapeutas até mesmo prevenir a manifestação de outros distúrbios.

Limitações na aplicação do estudo à terapia e Conclusão

A linha de pesquisa do Dr. Fried é relativamente nova. Portanto, ainda é necessário tempo para se alcançar um tratamento bem sucedido para terapeutas como eu. A forma "tradicional" de conduzir pesquisas sobre depressão continua sendo a base das intervenções clínicas. Atualmente, a melhor maneira de um terapeuta lidar com este dilema é que eu tenho que estar ciente da limitação das abordagens tradicionais; a depressão não pode ser trazida de volta a um único fator. Clientes diferentes podem se beneficiar mais de intervenções diferentes, dependendo de quais sintomas eles apresentam. Ao entender que os sintomas muito provavelmente se reforçam mutuamente, isto pode influenciar a prioridade que decido dar para ajudar o cliente a lidar com certos sintomas ao definir as metas de tratamento com meus clientes. Posso então ajudar melhor meus clientes a entender porque acredito que devemos nos concentrar em sintomas específicos entre muitos outros que estão causando problemas em suas vidas. No final, as abordagens psicoterapêuticas provavelmente terão que revisar seus protocolos num futuro muito próximo a fim de tratar os clientes com sintomas depressivos. 

Imagem do blog de Dr. Fried

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