{"id":4792,"date":"2021-03-31T10:55:29","date_gmt":"2021-03-31T08:55:29","guid":{"rendered":"https:\/\/rochaijzerman.io\/?p=4792"},"modified":"2022-07-23T10:00:55","modified_gmt":"2022-07-23T08:00:55","slug":"how-can-we-treat-depression","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rochaijzerman.io\/pt\/how-can-we-treat-depression\/","title":{"rendered":"Como podemos tratar a depress\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p class=\"has-text-align-center\"><em>Regularmente eu leio um artigo que gosto e que considero relevante para a psicoterapia. Eu o resumo e discuto como o considero relevante para os clientes em meu blog. Voc\u00ea tem perguntas, coment\u00e1rios ou sugest\u00f5es para outros artigos a serem lidos? Deixe um coment\u00e1rio abaixo do post.\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Discuss\u00e3o do artigo <a href=\"https:\/\/eiko-fried.com\/wp-content\/uploads\/PIIS016503271631312X.pdf\"><em>The 52 symptoms of major depression: Lack of content overlap among seven common depression scales<\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Embora existam diversos estudos sobre depress\u00e3o, compreender o que ela \u00e9 exatamente pode muito mais complicado. Este m\u00eas discuto um artigo do Dr. Eiko I. Fried, no qual ele mostra que existe uma grande disparidade entre as 7 escalas de depress\u00e3o mais comumente usadas em estudos cient\u00edficos. Sua conclus\u00e3o \u00e9 que estas escalas n\u00e3o medem de fato a mesma coisa, o que significa que as conclus\u00f5es tiradas at\u00e9 agora sobre tratamentos eficazes para a depress\u00e3o podem ser question\u00e1veis. O impacto desta pesquisa \u00e9 que diferentes clientes com diferentes tipos de depress\u00e3o podem n\u00e3o se beneficiar do mesmos medicamentos e do mesmos tipos de tratamentos psicoterap\u00eauticos. Para mim, como terapeuta, isso traz uma perspectiva importante sobre o futuro da pesquisa e dos tratamentos para a depress\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os 52 Sintomas da Depress\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Nesse artigo <a href=\"https:\/\/eiko-fried.com\/wp-content\/uploads\/PIIS016503271631312X.pdf\"><em>The 52 symptoms of major depression: Lack of content overlap among seven common depression scales<\/em><\/a>O Dr. Fried descobriu que as 7 escalas mais usadas na literatura sobre depress\u00e3o t\u00eam um n\u00edvel muito baixo de similaridade em rela\u00e7\u00e3o ao seu conte\u00fado. 40% dos sintomas aparecem em apenas uma escala (por exemplo: o sintoma <em>queixas som\u00e1ticas<\/em> aparece apenas no Inventory for Depressive Symptomatology enquanto o sintoma <em>a vida \u00e9 plena <\/em>aparece apenas na Escala Zung Self-Rating Depression Scale). Dos 52 sintomas, <em>tristeza<\/em> \u00e9 o \u00fanico sintoma comum diretamente questionado em todas as 7 escalas. H\u00e1 outros 5 sintomas em comum entre todas as escalas, mas estes s\u00e3o perguntados diretamente em algumas escalas (por exemplo, a escala Hamilton Depression Rating Scale pergunta sobre <em>ins\u00f4nia cedo<\/em>, <em>middle insomnia<\/em> e <em>ins\u00f4nia nas primeiras horas da manh\u00e3<\/em>) e indiretamente em outros (por exemplo, a escala Beck Depression Inventory pergunta sobre <em>sono perturbado<\/em>).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">O Dr. Fried prop\u00f5e que \u00e9 necess\u00e1rio desenvolver diferentes tipos de escalas, nas quais seja poss\u00edvel medir uma grande variedade de sintomas com muito mais detalhes, tendo, por exemplo, diversas perguntas para cada sintoma. Sua opini\u00e3o \u00e9 que o objetivo de tais escalas deve ser o de medir <em>sintomas<\/em> e n\u00e3o uma constru\u00e7\u00e3o \u00fanica e abrangente, como <em>depress\u00e3o<\/em>. A id\u00e9ia \u00e9 que, melhorando nossa compreens\u00e3o dos sintomas, estar\u00edamos mais aptos a tratar especificamente os sintomas. Como os sintomas da depress\u00e3o podem variar de acordo com cada pessoa, os tratamentos baseados na focaliza\u00e7\u00e3o em sintomas espec\u00edficos podem ser potencialmente mais eficazes do que aqueles baseados na compreens\u00e3o da depress\u00e3o como constru\u00e7\u00e3o \u00fanica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Implica\u00e7\u00f5es para os clientes que atendo em terapia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"text-align:justify\">Na minha pr\u00e1tica cl\u00ednica procuro me manter atualizada com uma nova dire\u00e7\u00e3o de pesquisa para entender a psicopatologia chamada Network Analysis (trabalho muito alinhado com a pesquisa do Dr. Fried). A pesquisa em Network Analysis procura entender como as quest\u00f5es de sa\u00fade mental surgem, se mant\u00eam e cessam observando como os sintomas se relacionam uns com os outros. Dentro da Network Analysis, a intera\u00e7\u00e3o entre os sintomas \u00e9 entendida como a causa do dist\u00farbio. Isto \u00e9 muito diferente do que na pesquisa tradicional, onde os dist\u00farbios s\u00e3o identificados como tendo uma causa comum muitas vezes invis\u00edvel (por exemplo, uma causa gen\u00e9tica), que pode ou n\u00e3o estar relacionada aos sintomas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Da perspectiva da Network Analysis, para ser mais eficaz, as interven\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas devem visar diretamente os principais sintomas que causam dist\u00farbios. A id\u00e9ia \u00e9 que podemos melhorar significativamente os tratamentos se formos capazes de identificar sintomas que s\u00e3o mais propensos a ativar outros sintomas (por exemplo, preocupa\u00e7\u00e3o sendo a causa de ins\u00f4nia). Se os terapeutas souberem, por exemplo, que a \"preocupa\u00e7\u00e3o\" \u00e9 um sintoma central, trabalhando diretamente sobre este sintoma espec\u00edfico, estar\u00e3o mais aptos a interromper ou enfraquecer um efeito em cascata de outros sintomas decorrentes da preocupa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">Identificar o sintoma principal \u00e9 um elemento; os pesquisadores que trabalham em Network Analysis tamb\u00e9m est\u00e3o interessados em fazer uma ponte entre diferentes transtornos. Como a ocorr\u00eancia de m\u00faltiplos dist\u00farbios que ocorrem ao mesmo tempo acontece com freq\u00fc\u00eancia (como a depress\u00e3o e a ansiedade), os pesquisadores neste campo est\u00e3o interessados em identificar quais sintomas apresentam os elos mais forte entre eles. Para os terapeutas, esta descoberta nos permitiria visar melhor os sintomas que s\u00e3o respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o de outros dist\u00farbios. Isto pode permitir aos terapeutas at\u00e9 mesmo prevenir a manifesta\u00e7\u00e3o de outros dist\u00farbios.<\/p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Limita\u00e7\u00f5es na aplica\u00e7\u00e3o do estudo \u00e0 terapia e Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><p style=\"text-align:justify\">A linha de pesquisa do Dr. Fried \u00e9 relativamente nova. Portanto, ainda \u00e9 necess\u00e1rio tempo para se alcan\u00e7ar um tratamento bem sucedido para terapeutas como eu. A forma \"tradicional\" de conduzir pesquisas sobre depress\u00e3o continua sendo a base das interven\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas. Atualmente, a melhor maneira de um terapeuta lidar com este dilema \u00e9 que eu tenho que estar ciente da limita\u00e7\u00e3o das abordagens tradicionais; a depress\u00e3o n\u00e3o pode ser trazida de volta a um \u00fanico fator. Clientes diferentes podem se beneficiar mais de interven\u00e7\u00f5es diferentes, dependendo de quais sintomas eles apresentam. Ao entender que os sintomas muito provavelmente se refor\u00e7am mutuamente, isto pode influenciar a prioridade que decido dar para ajudar o cliente a lidar com certos sintomas ao definir as metas de tratamento com meus clientes. Posso ent\u00e3o ajudar melhor meus clientes a entender porque acredito que devemos nos concentrar em sintomas espec\u00edficos entre muitos outros que est\u00e3o causando problemas em suas vidas. No final, as abordagens psicoterap\u00eauticas provavelmente ter\u00e3o que revisar seus protocolos num futuro muito pr\u00f3ximo a fim de tratar os clientes com sintomas depressivos.&nbsp;<\/p><\/p>\n\n\n\n<p>Imagem do blog de <a href=\"https:\/\/eiko-fried.com\/new-paper-the-52-symptoms-of-major-depression\/\">Dr. Fried<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I regularly read an article that I enjoy reading and that I find relevant for psychotherapy. I summarize it and&#8230;<\/p>","protected":false},"author":10,"featured_media":4793,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[109,81,106],"tags":[],"class_list":["post-4792","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-depression","category-individual-therapy","category-mental-health"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rochaijzerman.io\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4792","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rochaijzerman.io\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rochaijzerman.io\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rochaijzerman.io\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rochaijzerman.io\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4792"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/rochaijzerman.io\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4843,"href":"https:\/\/rochaijzerman.io\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4792\/revisions\/4843"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rochaijzerman.io\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4793"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rochaijzerman.io\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rochaijzerman.io\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rochaijzerman.io\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}